Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

12 de fevereiro de 2013

Nos braços de Morfeu


Nos braços de Morfeu

Pensei acordar do pesadelo
Os olhos permaneceram fechados
Senti na garganta o veneno
Num gole, o gelo quadrado
Vi a cara manchada no espelho
Um brilho já desbotado
Sorri, desarmada, ao destino
Encarcerei-me no quadro

Depois de beber a taça de vinho

Eu vi na retina o brilho do lobo
Algoz cruel e desumano
Animal que fez da vida um vício
Algo entre órfão e demônio
Ofereci-lhe convicta o porto
Preferiu outros tantos cais
Chorei mares tristonhos
Engarrafei os meus ais

Depois de enviar tolos sinais

Conquistei a paz com ferrenha luta
Sangue jorrando pelo quarto
Contei meus pedaços de dois em dois
Juntei tudo e em meio aos cacos
Encontrei meu eu perdido
Ainda que tenha sido bizarro
Encostei a cabeça no travesseiro
A procura dos braços de Morfeu

Depois, é claro, de pronunciar o adeus.


Dhenova

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