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Da fêmea que sou, ah, eu sei...

20 de janeiro de 2013

Zona


Zona

Os dedos tamborilam na mesa de fórmica. O vermelho do esmalte não encontra contraste com o da boca quando a mulher leva o cigarro aos lábios. Ela traga profundamente. A fumaça sobe em espiral, até o teto de madeira. Algumas pessoas estão paradas no balcão, esperando o lanche engordurado. O menino traz algumas moedas e uma nota de dois reais na mão. O homem com o casaco de lã azul pinta o bigode de preto e está olhando para a rua. Uma senhora de vestido cinza escuro confere a hora no relógio de pulso pela terceira vez. Neste momento, entra um moço de cabelos longos e negros e a mulher de unhas vermelhas levanta-se da cadeira. A saia curta está bem acima dos joelhos. A blusa de malha transparente revela seios fartos presos por um sutiã negro. O estômago proeminente quase sai pelos botões. A mulher se aproxima do moço e sorri. Sorriso de dentes amarelos. O moço olha para a mulher e não sorri. Ela faz um gesto com a mão. Mas ele baixa a cabeça. A mulher, então, ajeita a bolsa de oncinha e sai. Antes de atravessar a rua, atira o cigarro na calçada de cimento cru.


Dhenova

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