20 de janeiro de 2013

XII


XII


Sede
lábios inchados
rachados
ressecados
pele opaca
esverdeada
a gosma endurecida
envolta na língua
quase preta
ambas
o frio que sobe
pés e pernas

gesto incauto
calcificado
fremente

mãos, ventre
coração, peito
cabeça, garganta
silêncio consciente

espera 
do fim do ciclo

quimera
alívio.


Dhenova
(Meus silêncios verdes)



Meus silêncios verdes terminaram, as gosmas foram espalhadas pelo pátio, desenhadas com a biles minhas ilusões, que misturaram-se à terra vermelha. E a chuva fria, linda chuva de pingos grossos e faceiros, encerrou mais um ciclo, fez barro, que correu pelo ralo com a intensidade do fluxo, e lavou a alma toda do sonho, delírio. A gosma ficou transparente, tornou-se parte da chuva, e a cena inspirou poesia, ainda que turva... e a vida seguiu seu curso, de forma absurda.

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