Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

20 de janeiro de 2013

XI


XI


E a gosma que surge
 não vem da garganta
aparece do nada, 
acumula-se no ventre
avoluma-se, a maldita 
gosma verde...

E a gosma cria corpo, 
tão disforme e torto
vai e sobe
pressiona o peito
ah, maldita gosma... 
mais e mais verde

E a gosma entra em ebulição
espalha-se pela cabeça
escapula pelos olhos azuis

E a gosma escorre
pelos ouvidos
explode verde e amarela
na blusa de seda
e tapa a boca vermelha.


Dhenova
(Meus silêncios verdes)

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