19 de janeiro de 2013

VIII


VIII

Extraio um a um os espinhos
faço o colar
não circulo o pescoço
ao contrário
cravo inteiro no esboço
papel manteiga
e fica só o traço
marcado por pontos
pretos e roxos

manchas vermelhas
aparecem aos poucos
nas pontas dos dedos 
rasga-se o verso
as letras fogem
escoam pelo ralo
a céu aberto

o silêncio insistente
espalha-se pela sala
quarto, cozinha
armários

e a poesia adormece
órfã de inspiração
fica apenas a gosma
crua sensação.

Dhenova
(Meus silêncios verdes)

Nenhum comentário:

Postar um comentário