Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

19 de janeiro de 2013

VII


VII


O “outro lado” não é frio
é gosmento, pegajoso
abafado
cheiro de terra mofada
suor na pele
acidez do âmago
sentido diferente
sem ser aflito
silenciadas as batidas
o eco sumido

só o calor permanece
imóvel e indefeso
aos poucos
o corpo é levantado
pulmão recebe o ar
olhos se abrem
e volta a gosma

inteira, tamanha.


Dhenova
(Meus silêncios verdes)

Nenhum comentário:

Postar um comentário