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Dos rios que não cruzei... não sei!

20 de janeiro de 2013

Verso Predestinado


Verso Predestinado


Ingênuo, abstrato verso
nasceu livre, feliz
empilheirou rimas
riu das falhas vis
buscou matizes e sinas

Colorido, apaixonado verso
traçou linhas imaginárias
desejou no céu controverso
gravar amor sem falácias

Tolo, imaturo verso
fragmentou-se em batalhas
seguiu atrás do convexo
encontrou só navalhas

Decepcionado, amargo verso
desenhou tristezas
no chão verde imerso
desdenhou belezas

Atrapalhado, medíocre verso
fez da briga a cena
entalhou ódio no anverso
e renegou poemas

Entristecido, doído verso
em seu último suspiro
solilóquio disperso
fez-se amante do mito

agonizou envenenado
soprou tom perverso
distorceu embriagado
pueris manhas
em brancas linhas...

Expulsou o verso
agonia velada
marcou o fim do eterno
escreveu a última letra
morreu, enfim, predestinado.


Dhenova

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