Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

5 de janeiro de 2013

Um muro de mágoa


UM MURO DE MÁGOA

Nas paredes do quarto
estão desenhados
com giz transparente
sorrisos afilados

Na vidraça os pingos
escorrem perdidos
esculpem no vidro
inertes desígnios

e o silêncio
que abate
tal qual uma cruz

e o silêncio
rebate
e ainda seduz...


Na cama, lençois frios
apenas entre os dois
seres exaltados
um muro de mágoa

também o eco
gritos de emoção
como um remédio
para solidão

e o silêncio
que açoita
tal qual a maldade

e o silêncio
que mata
qualquer coragem.

Dhenova

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