Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

13 de janeiro de 2013

Meus silêncios verdes


Meus silêncios verdes


E a gosma que surgiu
não veio da garganta
apareceu do nada,
acumulou-se no ventre
avolumou-se,
a maldita gosma verde...

E a gosma criou corpo,
tão disforme e torto
foi subindo
e pressionando o peito
ah, maldita gosma...
mais e mais verde

E a gosma entrou em ebulição
espalhou-se pela cabeça
escapuliu pelos olhos azuis

E a gosma
escorreu pelos ouvidos
explodiu verde e amarela
na blusa de seda
e tapou a boca vermelha

daí foi que silenciei...


Dhenova

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