Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

10 de janeiro de 2013

Maga e o Carteiro


Maga e o carteiro

Manhã bem cedo
e lá fora um grito
Carteiro!
Maga pensa consigo
e agora?
sutiã de bolinhas
cabelos de morta
maquiagem borrada
latinhas de cerveja
por toda parte
uma piada
e desiste de atender...

mas o rapaz
de cidade pequena
não vê problema
em esperar
e de cinco
em cinco minutos
bate no vidro
e grita 'vamos acordar'

ai, Maga está louca
com o rapazote
que faz um griteiro
de não se aguentar
Ela pega a presilha
enfia nos cabelos
vai direto pra porta
disposta a brigar

sentado na calçada
está o rapaz loiro
tão simpático,
diz à Maga
que estava preocupado...

neste instante de entendimento
presilha solta-se
cabeleira vai ao vento
o rapaz foge rapidamente
assim como os três transeuntes
benzendo-se do outro lado
'ai, que susto, é o diabo'
saem dizendo...

ah, pobre Maga
assusta o carteiro
briga com o espelho
e ainda quebra sua presilha
mais cara.


Dhenova

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