Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

7 de janeiro de 2013

Jogando pedrinhas a esmo


Jogando pedrinhas a esmo

Sinto o cheiro de terra molhada
procuro meu eu pela campina
ele corre solto na madrugada
fazendo festa pra lua menina

sinto o frio que envolve o corpo
orvalho fininho que cobre a pele
no ar, maresia, perfume de poucos
no vento, harmonia voando bem leve

sinto o toque da areia quente
agarro com força um punhado
busco meu eu em partículas ausentes
mas ele continua assim tão calado

sinto o gosto de água salgada
mergulho em plena noite
passo breve por destemidas algas
que arranham e ferem como açoites

resgato meu eu, salvo sem mácula

sinto o cheiro de terra queimada
e vejo meu eu num lado dourado
jogando pedrinhas a esmo, em nada
enquanto espera Apolo, em terreno sagrado


Dhenova

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