Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

24 de janeiro de 2013

Abismo


Abismo

Olhos de pedra me fitam
E eu, muralha que sou
Devoro o silêncio que me há
Habito a ausência que me basta

Olhos de água me tocam
E eu, confusa que estou
Quero a paixão no meu corpo
E o pulsar do coração vazio

Olhos curiosos me perguntam
E eu, ainda sem resposta
Abro a porta num salto
Tento encontrar a saída

Olhos navalha me ferem
E eu em cortes, aos farrapos
Procuro no vento um abraço
E entrego a minha sorte ao acaso

Dhenova e Michelle Portugal

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