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Dos rios que não cruzei... não sei!

7 de dezembro de 2012

Sobre o clima


Sobre o clima



Há um clima de paixão que ronda a casa,
entra pelas janelas redondas,
não, já não há mais quadradas, nem celas,
o perfume da acácia invade o quarto
a sala, espaços em branco
que são antônimos, são metades
e que devem continuar assim
porque é assim que se acham
se perdem e se acham outra vez
ou talvez nunca mais
mas já se acharam e o que vale é isso
descobriram-se invictos
ilesos, reconstruídos, os espaços

e nesta hora a alergia da acácia
some pela madrugada e vidas vazias ganham laços,
mãos em riste e nenhum cuidado para voar
são poucos os ganhos... mas não há perdas

e se fecha mais um ciclo


também, um clima de amor é visto em cada plantinha
no colorido esfuziante do beijaflor beijoqueiro
no sorriso constante da borboleta pintadinha
nos gnomos que correm e gritam
e gritam e correm... e gritam felizes...
no jardim de flores do campo
ah, somos aprendizes sim
no jardim, de sol
só há lugar para o arcoíris
depois da chuva
sentir o perfume das flores
sem nenhum dano ou ameaça


Há, enfim, um clima de paz quase infinita
uma história de guerra
invalida até a rima mais rica
prosas desconexas não dizem nada
e não fazem sentir... são frias

melhor mesmo é engolir o veneno
recebido das ervas daninhas
cuspi-lo em gotas de adubo
nas sementes da videira
e espantar, no final, as moscas do vinho

para bebê-lo depois de algum tempo.



Dhenova

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