31 de dezembro de 2012

Anjos caídos tocam trombetas



Anjos caídos tocam trombetas


Um dia, uma música suave
Invadiu o planeta febril
Por encanto, teve a chave
Espalhou o toque gentil

Fez da dor uma passagem
Encontrou em novos ares
A verdadeira mensagem
Ecoou nos verdes mares

Levada ao além, pelo vento
Não virou tempestade
Alcançou o coração sedento
Publicou outra vontade

Hoje, soam as trombetas
Anunciam o gran finale
Sobram falsos  profetas
Para curar todos os males

Abrem-se as cortinas
Mostradas são as feridas
Falta calor nas retinas
Mundo de idas e vindas

Caminhada de um povo
Pelo deserto infinito
Nada de muito novo
Desafio parco e restrito

No fim acaba-se o sonho
Estranho universo torto
À procura do bisonho
De encontro ao desconforto.


Dhenova

30 de dezembro de 2012

Estas águas


Estas águas

As águas tão agitadas
escondiam o segredo
o lugar em que o tudo
e o nada
se fizeram anseios...
As águas tão turvas
dependiam do tempo
e escorriam nas curvas
de um novo sentimento...

Ah, estas águas
tão sem discernimentos!

Dhenova

Voando leve...


Voando leve...


Vim voando leve
asas quase paradas
procuro o cais, a chegada
continuo breve e nada sábia

vim voando no vento
entre correntezas sim
mas encontrei sentimento
lá no bosque, perto do fim

vim voando apaixonada
desci a corredeira
já sem mágoa sentida
enfrentei outra fogueira

vim voando lépida
e encontrei lago calmo
recolhi minhas asas
encontrei o meu bálsamo.


Dhenova

Momento Oportuno


MOMENTO OPORTUNO

No jardim de grama verde
era um dia de sol fremente
A mulher sentada na pedra
dizia a si mesma:
"tanta incoerência"
e sacudia a cabeça...

Bem perto,
o homem ouvia
o canto dos anjos
O homem sentia
o perfume das flores
O homem via
a cascata de cabelos vermelhos
e esperava satisfeito...

(Sentir na palma da mão
o coração que bate - arde - canção)

O vento surgiu de repente
revirou as vestes da mulher
Num movimento torto da seda
escondeu o rosto do homem ditoso

Foi na queda do véu
o momento oportuno
de olhos e olhos
de beijo e de boca
com gosto de mundo.

Dhenova - abril/2009

Plágio


PLÁGIO

Vem e me copia
Vem e me ataca
me joga na rua
implacável criatura
larápio infeliz
recorta-me os versos
deixa-me despida
me tortura, me intimida
me pega e me risca
Vem e me rouba a marca
arranca minha pele
me deixa abalada
invade minha alma
me mata a facadas
extirpa minha história
e ainda leva a glória.

Dhenova

Dentro do Invólucro


Dentro do invólucro

Palavras ditas são tantas
em suaves colóquios
como doce de pera
dentro do invólucro
podem ser tantos gritos
diálogos armados
ideias abatidas
num telhado de vidro

as não ditas
dizem nada
são da 'pá virada'
e não adianta
nenhuma jogada
são as trapalhadas
roubadas dos atores
nesta vida indigna

estes que amam poesia.


Dhenova
17/05/2010

Saciando a fome de verso


Saciando a fome de verso

S aciar a fome da boemia
A lcançar o céu da magia
C onseguir a luz do dia
I maginar a melhor alegria
A braçar o pensamento sincero
N avegar o mar mais belo
D ormir ao relento, ao vento
O lhar o novo sol a todo momento

A o mesmo tempo,

F azer tudo de novo
O rganizar o futuro
M emorizar o presente
E squecer o passado

D eixar os pensamentos livres
E ncontrar o mais puro amor

V iajar na melhor emoção
E sperar a mais doida paixão
R econhecer a triste verdade
S em os ternos versos da poesia
O melhor da vida é utopia.

Dhenova

29 de dezembro de 2012

Poesia do Medo


Poesia do Medo

Sei da fera que me habita o âmago
    sei do dia
    da noite
    do manto
Sei do grito esfaimado
    ah, sei do estrago

Sei da sorte
    da sangria
    da morte à revelia
sei da farpa na carne
    sangue que escorre
sei da briga
    do corte
    ah, sei da fadiga

Sei da corrente quebrada
    lançada ao rio
sei da ferrugem
    das marcas
    ah, sei da maldita carga

Sei da fera que me habita
    da corrida
sei da vida
    da perda
ah, sei da poesia
    que causa medo
    e me intriga.

Dhenova

Coração em torvelinho


Coração em torvelinho

Levo nas costas
a canção do destino
desvio das pedras
encontradas no caminho

Arrisco uma imagem
de mãos e pés atados
procuro na bagagem
outros tons roubados

Entrego uma emoção
para o céu divino
confesso a solidão
coração em torvelinho.

Dhenova

27 de dezembro de 2012

De braços abertos


De braços abertos

Cheguei ao limite
lá embaixo, o abismo
de águas límpidas e verdes
ondas altas, gigantescas
sensação de ser única
me penetra inteira

Cheguei à beira
o ar é quente
o sol me invade
nenhuma maldade
me abate, nada importa
fechei a porta para o ruim

livre, enfim.


Dhenova

10 de dezembro de 2012

Na trilha


Na trilha


Fiz minha trilha
de cacos de estrelas
machuquei os pés
sangrei desenhos
de rosas vermelhas
ah, andei de joelhos
dos cortes profundos
salpiquei de gotas
espessas, meu rumo

bati com força
socos e pisadas
afundei pedaços
na terra queimada
oh, dancei no fogo
em plena madrugada
amei com intensidade
cheia de graça...

e fui amada.

Iluminei caminhos
com raios de lua
não busquei o sol
preferi penumbra
é, colar estrelas
trabalho tão duro
esvaziei a alma
dos tons escuros

e continuei ao léu...

Cheguei ao fim
olhei pra trás
vi no chão o rito
ah, querer bem mais
e eu disse sim
falsifiquei meus ais
é, busquei a paz
e recebi os astros
nas minhas mãos
inteiros

redesenhei as rotas
desativei os freios
ah, nave ainda torta
alinhei desejos
e avancei sem medo.

Dhenova

7 de dezembro de 2012

Parceria Poética


Parceria Poética

Quero a paz de um segundo
entre a respiração e a batida
quero a alquimia do dia
quero a doçura, a calmaria

quero o instante breve
dado no abraço marcado
quero os olhos fechados
como se nunca houvesse o fim

Quero esquecer da nobreza
da mulher apática, sem sentimentos
quero o ato de grande beleza
a pureza dos pensamentos

Quero apostar na certeza
da viagem mais singela
quero abarcar a riqueza
e ter o beijo mais terno

Quero acreditar na alegria
quero o amor sincero, a poesia
Ler nas folhas do destino
a mais apaixonada parceria da vida.

Dhenova

Sobre o clima


Sobre o clima



Há um clima de paixão que ronda a casa,
entra pelas janelas redondas,
não, já não há mais quadradas, nem celas,
o perfume da acácia invade o quarto
a sala, espaços em branco
que são antônimos, são metades
e que devem continuar assim
porque é assim que se acham
se perdem e se acham outra vez
ou talvez nunca mais
mas já se acharam e o que vale é isso
descobriram-se invictos
ilesos, reconstruídos, os espaços

e nesta hora a alergia da acácia
some pela madrugada e vidas vazias ganham laços,
mãos em riste e nenhum cuidado para voar
são poucos os ganhos... mas não há perdas

e se fecha mais um ciclo


também, um clima de amor é visto em cada plantinha
no colorido esfuziante do beijaflor beijoqueiro
no sorriso constante da borboleta pintadinha
nos gnomos que correm e gritam
e gritam e correm... e gritam felizes...
no jardim de flores do campo
ah, somos aprendizes sim
no jardim, de sol
só há lugar para o arcoíris
depois da chuva
sentir o perfume das flores
sem nenhum dano ou ameaça


Há, enfim, um clima de paz quase infinita
uma história de guerra
invalida até a rima mais rica
prosas desconexas não dizem nada
e não fazem sentir... são frias

melhor mesmo é engolir o veneno
recebido das ervas daninhas
cuspi-lo em gotas de adubo
nas sementes da videira
e espantar, no final, as moscas do vinho

para bebê-lo depois de algum tempo.



Dhenova

Fogo em mim


Fogo em mim

Sinto na pele
ardor indistinto
busco a mão, bem leve
vejo olhar tão bonito
e o risco...

Preciso dos dedos
agarrados à cintura
lábios nos ouvidos
despir a armadura
e do vício...

Quero a língua
mais encaixada
então ficar louca
merecer a 'pegada'
estar desvairada...

Desejo a noite
imortal madrugada
obedecerei o açoite
se então for escrava...

desejo a vida e sua morada
arde em mim a chama
fogo que deforma e mata.

Dhenova

4 de dezembro de 2012

Depois do vermelho


Depois do vermelho


Há vida depois do vermelho
elos partidos ao meio
reflexos vazios no espelho
mostram outros receios

Há paz embaixo da couraça
linha tênue divisora das águas
faz do tempo breve ameaça
e são esquecidas as mágoas

Há realidade atrás da máscara
sorriso marcado por rugas
não há nenhuma lágrima
solidão espalhada em figuras

Há amor dentro do peito
amarrado com fita, num laço
esperança invade o leito
e a emoção estende os braços.


Dhenova





Sem sufoco


Sem sufoco


Traga a palavra
aquela mais plena
livre, venha sorrindo
entregue-se a outro tema

traga versos intensos
atire no círculo de fogo
espera pra ver o dilema
ou só aqueça o seu corpo

traga o discurso afiado
mas que ele faça sentido
seja inteligente e bravo
não seja recalcado ou aflito

traga, enfim, a poesia
aquela que alcançará a todos
que seja de paz, eleve o dia
e tire o mundo do sufoco.


Dhenova

Vestida de seda, mas nua

Vestida de seda, mas nua

Viro as costas à lua
pés que deslizam no mar
vestida de seda, mas nua
canto segredos e ais

Viro as costas ao vento
areia fina nas pernas
desenha no chão movimentos
apaga com espuma as guerras

viro as costas à noite
escuridão tão sentida
não suporto mais os açoites
feridas que purgam na lida

viro as costas ao tempo
dança azul das águas
procuro agora outro elemento
esquecer o medo, as mágoas

viro as costas à nostalgia
musa que inspira os loucos
perco-me então na poesia
e encontro raiz como poucos.

Dhenova

3 de dezembro de 2012

Falta de Rimas

Falta de Rimas

Ando cansada
de escutar o silêncio
batidas sentidas na boca
peito vazio por dentro

ando cansada
de tanto mau jeito

Procuro palavras
doces, amenas
às vezes, nefastas
apimentadas, mas ternas

procuro palavras
escritas com pena

Estou decepcionada
com o desamor, e as sinas
canto o dia, noite e madrugada
e nada, numa voz tão fina

estou decepcionada
com a falta de rimas.

Dhenova

Por um triz


Por um triz


É... e foi o quase
sensação de desmaio
corpos colados
suor que brilha pela vidraça
peles nuas, atadas

É... e foi o movimento
queda livre
cavalgada louca
delírios, desejos
salivas doces, bocas

É... e foi o freio
controlada emoção
sentimentos coerentes
por um triz
quase no chão.

Dhenova