2 de novembro de 2012

A viagem

Fui, sem pensar, apenas atirei-me no abismo, corpo batendo nas pedras, ossos que se quebraram, estilhaçados lá no chão. Úmido.
Fui, antes disso, embrenhei-me na mata cerrada. Cravei as unhas nos troncos, segurei com força os galhos, arranquei flores. Fui. Entrei, sem notar, no caminho dos espinhos. E eles rasgaram-me a pele, pingos de sangue deixaram grifados desenhos disformes, marcaram a trilha. Molhada.
Fui, bem antes, mergulhei no mar, e senti a correnteza, esfolei-me nos corais, perdi a noção do tempo. Fui, jogada pela onda parei à beira da praia, corpo sem vida, estendido na areia. Gelada.
Eu fui...
Fui, logo no início, buscar a transformação. Limpar a memória, sorrir novamente, tantas histórias tão renitentes. Deixei de lado a paixão, esquecida numa gaveta. Deitei-me na cama, entre lençois azuis, e fechei os olhos. Quis a regressão. Mergulhei em mim e me desfragmentei. Fui e fiz... tudo isso para te tirar de mim.  E ainda não consegui.

Dhenova

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