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25 de novembro de 2012

Debaixo daquela árvore...

Coletânea de poemas da NOP - Nova Ordem da Poesia


http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/4004459

Não preciso disto

Não preciso disto

Cansei das tantas rusgas
quero a brisa suave
palavras doces
sussurros nas madrugadas

Cansei das agressões gratuitas
quero novo arrebol
brilho quente do sol
coisa realmente de artista

Cansei dos conceitos atravessados
e das várias mentiras
não suporto mais a ira
quero doçura nos abraços

Cansei de sentir dor
e almejar a insanidade
sem meias verdades
quero somente o amor

e viver a realidade.

Dhenova

Prosa


PROSA

Da primeira vez que te tive
Foi identificação imediata
Na fala arrastada
A emoção de um sentimento
Tão puro
Tão frágil
Celestialmente impuro
E eu te quis ‘de cara’
E deixei tão claro
Pra que confundir tudo?
Era só dizer que amava e pronto
Mas o destino foi estranho
Tirou teu eu do meu caminho
E eu tomei outros rumos
Um mundo de rimas pobres
Atravessadas pelo descaso
De quem não sabe o que é amar...

Hoje, voltas com a força da tempestade
Deixa minha boca seca
Olhar nas estrelas
Coração que bate e bate e bate
Sugestão? Norte!
Vem logo, então,
Vem minha prosa
Que te abraço no ato
Teatralmente em falso
Perdida no palco
Barrada no baile
Desconhecida do público
Mas mesmo assim
Comprometida com a vida
Florida, intensa, amena
Selvagem ou tola
Vivida de fato
Por gente comum
Eu e tu
Eu e tu e a vida
E ainda um instante.

Dhenova

Minha Órbita


Minha Órbita

Pensei que fosse a lua cheia
a amiga fiel, a companheira
Ou então a estrela brilhante
encravada no céu rutilante
Pensei que fosse Saturno
com seus aneis, destroços crueis
Pensei que fosse Júpiter
Tão grande e majestoso,
secretamente ardoroso
Pensei ainda que fosse Marte
tão vasto na arte,
tão sublime, tão plástico
Pensei até que fosse o sol...

Mas era só um cometa
insano e destrutivo
que me deixou atrevida
confusa e bandida
e depois sumiu no horizonte
não percebeu o desastre
invadiu minha órbita
lançou-me no buraco negro
e sequer saiu da rota.

Dhenova

23 de novembro de 2012

Sem adereços


SEM ADEREÇOS

Quero a paz sem adereços
sem tons vermelho ou prata
que venha densa e cálida
ah, a paz que almejo...

pálida seja a ira
num céu sem fuzis
o perfume da rosa
invada em brisa sutil

iludida seja a paixão
mergulhada em branco
espante a solidão
com sorriso franco

tácita seja a briga
na avenida ou mar
cale o motivo escondido
emoção em ter mais

enaltecido seja o amor
desenhado entre estrelas
visto por todos entes
amanhecer sem fronteiras

cristalizada seja a razão
num poema frágil
deite as regras no chão
sem confusão ou maldade

Quero a paz sem adereços
sem tons vermelho ou prata
que venha densa e cálida
ah, esta paz que almejo!

Dhenova

22 de novembro de 2012

Escrituras Nuas


ESCRITURAS NUAS

Eu chamo o vento
Companheiro do tempo
Eu protejo o beijo
Molhado de desejo
Eu busco o sol
No canto do rouxinol
Eu sinto a saudade
Doce verdade
Eu leio as escrituras
Tão cruas, nuas, duras
Eu assino na borda
Desenhada pela aurora
Eu percebo a esperança
No semblante da criança
Eu deixo cair o véu
Um pedaço de céu.

Dhenova

O deserto da loucura


O deserto da loucura

Passei massa plástica
nas imperfeições do teto
mesmo que lá fora
tudo estivesse cinzento

cobri com papelão
todo tormento
lixei com força
e com jeito

subi no último degrau
da escada mal colocada
girei absurda
tão desorientada

pintei com tinta clara
o céu da esperança
mesmo que na marra
quis a última dança

fiz tudo quase certo
dentro da minha loucura
mas foi o deserto
que vi na pintura.

Dhenova

21 de novembro de 2012

Almas Aladas


Almas Aladas

No manto azul muito escuro
uma estrela está desenhada
nela, escritas em prateado
as palavras 'Almas Aladas'

no veludo macio quase negro
o horizonte vai se formando
um certo tom avermelhado
vai colorindo o manto

de repente vê-se um feixe
de uma luz amarelada
e uma abóboda muito dourada
surge enfim...

Eram noites de veludo carmim.

Dhenova

Vai e vem


Vai e vem

Vai e vem dos cabelos
coragem certa
no balanço dos anseios
o norte tem a seta

Vai e vem do quadril
sentida a base
roliço o ardil
mascara a nova fase

Vai e vem do vestido
abertas as pernas
o ar é partido
soltas as paixões eternas

Vai e vem e um grito
ao alcançar o ápice
num estranho, tosco rito
emoção abre passagem.

Dhenova

Linda Magia


LINDA MAGIA

No jardim das papoulas
o mago da cor
entrega à donzela
as lilases amarelas

No jardim das orquídeas
a magia indefinida
procura na beleza
a firme grandeza da vida

No jardim dos cravos
o bruxo escreve
'tão sem norte, sempre eu'
e o mesmo fato acontece

No jardim das hortênsias
a mágica é densa
tão clara é a melodia
tão forte é a brisa, a nostalgia

No jardim das flores
magos, bruxos audazes
buscam no tempo o desague
e no coração a coragem.

Dhenova

Já não somos


Já não somos

Um dia, fomos um
já olhamos para o mesmo lado
já deixamos de olhar
um dia, fomos um
nos guiou os mesmos passos
pássaro lindo azul
um dia, fomos um
no horizonte amarelado
nos perdemos da luz
um dia, fomos...

hoje, já não somos.

Dhênova
25/1/2011

20 de novembro de 2012

Holograma


Holograma

Tinha tudo para ser um buraco negro
mas não era
colorido ao extremo
tinha pontos e círculos
e se enrolava em si
num abismo

Tinha tudo para ser um absurdo
mas não era
um caminho às avessas
que dava para lugar nenhum

Era, na realidade, comum
um frágil e distorcido
holograma
sem começo nem fim
fazia parte
de um universo febril.

Dhenova

19 de novembro de 2012

Madrugadas


MADRUGADAS

M arque e remarque as suas divisas
A mplie a sua audição
D eixe que o ar entre pela janela
R espire fundo, relaxe, esqueça...
U m dia calmo, em harmonia
G arantirá a paz devida.
A manhecerá daqui a pouco
D ia novo, novo dia
A bra a janela, respire o ar, esqueça...
S inta a existência.

Dhenova

Rio Caudaloso


RIO CAUDALOSO

R esquícios de ontem
I nvadem a mente
O ndas negras assomam

C oração frágil, carente
A barca deixou
U m espaço em branco
D ifícil saber o rumo
A guas mornas barrentas
L ivres finalmente
O curso segue
S orvendo tudo
O caudaloso rio.

Dhenova

Matiz


Matiz

É quando eu me recolho no alaranjado
do nosso pecado e me pego assim
meio envolvida, enrolada, cativa
meio embevecida com a boemia
meio santa, atriz atrevida
que respiro o mel e sorvo o mundo
num só soluço...

É quando o ardor que queima meu peito
e deixa o reflexo do amor vermelho
que eu me entrego aflita, apaixonada
lânguida, intrépida, amada
e procuro no espelho o duplo
tinjo o céu de anil escuro
e o tudo preenche os espaços vazios

E quando isso acontece, a fusão
quando a luz se apropria da vida
e faz do amor a única saída
é que o breu amanhece calor, a emoção
e o meu rosto refletido na madrugada
mostra uma insana mania colorida
de ser só poesia, e ter o matiz alcançado.

Dhenova

18 de novembro de 2012

Eu sou


.
Eu sou a voz que vibra no vento
sou sentimento
Eu sou a feiura que invade o íntimo
sou limo
Eu sou a luz que brilha no escuro
sou futuro
Eu sou a demora que irrita o tempo
sou movimento
Eu sou a paz que aquece o coração
sou emoção
Eu sou a loucura que abraça o caminho
sou torvelinho
Eu sou a nostalgia que persegue a rima
sou mínima
Eu sou a escória que lidera o agora
sou senhora
Eu sou a natureza que compartilha a noite
sou açoite
Eu sou a paixão que guia o dia
sou poesia


Dhenova

Em cristais

Em cristais

e a brisa é perfumada
pássaros cantam
fazem festa no telhado quente
eu observo, calada
há tanta alegria
na dança alada
que me pego assim
suspirando por nada

há no sol ardente
o convite mudo
mas algumas queimaduras
deixam marcas
doem quando expostas
quero o protetor agora
sair depois de certa hora
aquela em que o sol já virou-se
e foi embora
queimar outro canto...

há na água a calma
água límpida, em cristais
e me vejo num processo de cura
até rápido demais

ainda que o espelho da alma
mostre no fim os mesmos sinais.

Dhenova

17 de novembro de 2012

Invasão

Invasão

Raios de sol lambem-me a face
Doces, acariciam o íntimo
Enlaçada nestes fios suaves
sinto irem-se os frios

Quero a luz
até o anoitecer
lua que seduz
faz o sol nascer

em mim

Marcas de giz
delimitam espaços
Assim, eu quis
os futuros laços

Sol que seduz
e faz nascer
(em mim)
lua que conduz
ao amanhecer

Raios de sol brilham menos
perco um pouco a vida
os que ficam, estão serenos
e inspiram nova poesia.


Dhenova

Concreto Vivo


Concreto Vivo

E então era como se nunca
tivesse existido
tijolo e cimento vindo abaixo
coração descoberto, aflito
face pálida
movimento involuntário
surgido no grito
canção calada
brilho apagado
fogueira que esfria
peito à mostra
olhar direto
rosto seco
sem sorriso

só outro grito... mudo
e não há mais suplício.

Dhenova

16 de novembro de 2012

Um caminho com flores


Um caminho com flores

Foi então que eu vi
o quanto sou frágil
o quanto preciso
de um terno abraço

foi então que senti

senti a vida pulsando
quero sorrir mais
não quero o pranto
alçar voo alto demais

foi então que parti

e parti sem rumo certo
busquei no andar
caminho correto
e esqueci de me amar

foi então que entendi

fiz da partida alento
brincadeira de roda
entrei no teu leito
já fora de hora

e muito tarde eu vi

que a trilha é gasta
pedras machucam os pés
e então dei um basta
não quero os viés

foi então que percebi

quero sim a partilha
pulso com pulso
sangue com sangue
não vejo saída

e nenhum desânimo

curei as feridas
com o sol no rosto
sorrio às idas
não há nada torto

só flores perfumadas
pelas trilhas
desta difícil jornada.


Dhenova

Poema Livre


Poema Livre

Por um instante
olhei sem ver o horizonte
encontrei a página em branco
sem fortuna ou arcanjo.

Por um instante
busquei sem saber a chuva lá fora
e senti o coração batendo na palma
vasculhei o caderno em busca de traços
sem noção, ação ou fato.

Por um instante
percebi que a vida continua
e que o poema deve ser livre
mesmo que fale da candura, da sinceridade
da ternura ou da fatalidade.

Por um instante
as lágrimas correram soltas
tolas ao acaso

Por um instante
enterneci...

Mas dominei-me
respirei fundo
e renasci.


Dhenova

Personagem


Personagem

Havia um grito abafado
vindo das paredes
que pulsavam em anil
havia um diálogo mudo
perene e profundo
ainda que arredio
havia dor e culpa
e uma ira absurda
nada senil
havia a morte e a vida
vistas num só ângulo
havia o pó e o pânico
e um só cobertor
e havia o pacto eterno
ah, nada singelo...
mas eram só as paredes
daquela casa vazia
sim, havia poesia no silêncio
como sempre haveria.

Dhenova

15 de novembro de 2012

Embrulho


Embrulho

Foram tantas as farpas
cravadas na carne
inflamaram a pele
deixaram suas marcas

Foram tantos os erros
situações cristalinas
e agora o desejo
não chega a retina

Foram tantas palavras
ditas ao nada
fecharam caminhos
mudaram a estrada

Foram tantos os medos
noções atravessadas
tampouco os beijos
fizeram a jornada

Foram tantas as mágoas
no silêncio do quarto
soltaram amarras
mofaram o quadro

Foram tantos os nãos
embriagados de raiva
mataram a paixão
selaram a caixa.

Dhenova

2 de novembro de 2012

A viagem

Fui, sem pensar, apenas atirei-me no abismo, corpo batendo nas pedras, ossos que se quebraram, estilhaçados lá no chão. Úmido.
Fui, antes disso, embrenhei-me na mata cerrada. Cravei as unhas nos troncos, segurei com força os galhos, arranquei flores. Fui. Entrei, sem notar, no caminho dos espinhos. E eles rasgaram-me a pele, pingos de sangue deixaram grifados desenhos disformes, marcaram a trilha. Molhada.
Fui, bem antes, mergulhei no mar, e senti a correnteza, esfolei-me nos corais, perdi a noção do tempo. Fui, jogada pela onda parei à beira da praia, corpo sem vida, estendido na areia. Gelada.
Eu fui...
Fui, logo no início, buscar a transformação. Limpar a memória, sorrir novamente, tantas histórias tão renitentes. Deixei de lado a paixão, esquecida numa gaveta. Deitei-me na cama, entre lençois azuis, e fechei os olhos. Quis a regressão. Mergulhei em mim e me desfragmentei. Fui e fiz... tudo isso para te tirar de mim.  E ainda não consegui.

Dhenova

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