Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

22 de outubro de 2012

E se a chuva parasse?


E se a chuva parasse?


Quando os pingos da chuva
pararem de cair no telhado
sairei da sala, irei ao quarto
vasculharei então teu cheiro
nos armários, nos casacos
adormecerei o choro insano
esquecerei mil vezes
que te amei e amei... e amo

quando os pingos evaporarem
coloridos pelo céu azul
já estarei no carro
encontrarei ao longe na curva
no asfalto pintado de branco
outra situação turva
e uns tantos planos
talvez então outra emoção...

quando o sol fatiar o chão
em pequenas lascas de barro
e das frestas ser visto
o marrom escuro da agonia
vislumbrarei quem sabe o destino
de ser só e bem vinda à seca
ter na visão o mal súbito
e na canção tudo às avessas.


Dhenova

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