Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

24 de outubro de 2012

Apolo


Apolo

senti o calor no rosto
luz clara entre nuvens
deus fez-se de morto
e alcancei seu lume

senti na pele o ardor
tontos raios de brisa
vermelho foi a cor
que me veio à retina

senti no centro o medo
de ser novamente içada
sol que ilumina o todo
até a porta de entrada.

Dhenova


http://www.dhenova.com/p/renascimento.html

22 de outubro de 2012

E se a chuva parasse?


E se a chuva parasse?


Quando os pingos da chuva
pararem de cair no telhado
sairei da sala, irei ao quarto
vasculharei então teu cheiro
nos armários, nos casacos
adormecerei o choro insano
esquecerei mil vezes
que te amei e amei... e amo

quando os pingos evaporarem
coloridos pelo céu azul
já estarei no carro
encontrarei ao longe na curva
no asfalto pintado de branco
outra situação turva
e uns tantos planos
talvez então outra emoção...

quando o sol fatiar o chão
em pequenas lascas de barro
e das frestas ser visto
o marrom escuro da agonia
vislumbrarei quem sabe o destino
de ser só e bem vinda à seca
ter na visão o mal súbito
e na canção tudo às avessas.


Dhenova

11 de outubro de 2012

Voo sem medo


Voo sem medo

Sem medo
abro as asas
impulso dado
procuro no ar
liberdade e afago

sem medo
olho o horizonte
azul marinho
e estrelas brilhantes
mostram o caminho

sem medo
busco a verdade
no desapego
perdida a maldade
e esqueço dos erros

sem medo
não faço apelos
quero a poesia
imploro pra vida
só mais um dia

e com flores na ida.


Dhenova

3 de outubro de 2012

Lira


Lira


Já fui ventania, fui temporal, 
me fiz tornado, arranquei raízes, 
vivi no vento todas as crises
fui cortante
como o Minuano
busquei o instante
como fundo de plano
hoje sou brisa doce
trazida pelo verde do mar
hoje sou maresia
nostálgica lira
que se põe a cantar.


Dhenova

1 de outubro de 2012

Eu ando por aí...


Eu ando por aí...

Eu tentei achar no silêncio a cura
me fiz um anjo de candura
e ainda assim não resolvi nada
foram virando-se as páginas
e eu sequer percebi...

Eu procurei a sílaba do meio
aquela não proferida
fui bandida e banida
e ainda persisti no anseio
perderam-se as notas no ar
e eu continuei ali...

Eu finalizei o ato
quis um amor exato
mas vi a porta fechada
entornaram-se as águas
e eu me perdi e perdi...

Eu andei por aí
fiz inimigos
encontrei amigos
discuti o tempo
fui aprendiz
e mestre
quis a vida
quis a morte
hoje, tenho a sorte
de apenas viver
insone, mas sem remorso...

Dhenova
22/8/2010

Um risco assim


Um risco assim


Um risco de mim
saiu meio assim
meio que de lado
meio que afobado
saiu assim
um risco de mim

Um risco de mim
uma caricatura
sem beleza
nenhuma
um sorriso torto
de perto
um gesto brusco
incerto...

Um risco de mim
saiu assim
quando ouvi
da tua boca
a palavra mais louca
o adeus tão ruim

Um risco de mim
um traço inexato
uma linha avessa
sem cor
Um risco assim
saiu de mim...

Dhenova
30/01/2009