13 de setembro de 2012

A Festa do Palhaço

No camarim
de cara lavada
o palhaço não ri
o rosto deformado
mergulha lentamente
na branca tinta
com a máscara
esconde rugas
e todas as marcas
a infelicidade de um ser
que vive pra fazer rir

No picadeiro
as mesmas piadas
tortos trejeitos
quanta bobagem
e a dor lá no peito
continua igual
fincando como agulha
nas velhas entranhas

É fim de festa
algodão manchado
por preto e vermelho
sorriso sendo tirado
por mãos febris
que procuram as chaves
e acompanham passos apressados

Logo na rua
tão afoito
alcança a esquina
e na primeira mesa
homem sem freio
busca no vidro
vidro arranhado e feio
da garrafa de bebida
significado pra sua...
sua merda de vida.

Dhenova
('Sobre picadeiros, palhaços e palhaçadas...')

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