Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

13 de setembro de 2012

A Cadelinha Mary

A Cadelinha Mary - No picadeiro: os animais

Enquanto dava voltas
às bordas do picadeiro
a cadelinha Mary
buscava consentimento
do treinador idiota
que se achava o grande
e era só um bosta

Cheia de charme
rebolando as ancas
a poodle de pelos claros
trazia no saiote branco
estrelas azuis pintadas
e olhava pra o alto

Se via o homem tolo
balançar a cabeça
com cara de bobo
de um lado pra outro
quase morria de tristeza

Mas a cadelinha não desistia
vinham as bolas
e ela as empurrava, rápida
vinham as músicas
e ela dançava, graciosa
só quando vinha o fogo
é que ela parava, medrosa
empacava, não fazia mais nada
o que lhe rendia um dia
sem comida e água

O treinador, no entanto
continuava o espetáculo
apresentava outras cadelas
Juju, tão pretinha
Malu, bem branquinha
e Sônia, a mais gorduchinha

E lá ficava Mary
pobre cadelinha
presa em sua jaula
triste e sozinha
esperava o momento
de novamente tentar
talvez já sem medo
a roda de fogo pular.

Dhenova
('Sobre picadeiros, palhaços e palhaçadas...)

2 comentários:

  1. Que lindo, mana!!!
    Senti-me tocada pela sua Mary, e fiquei aqui imaginando quantas "Marys" somos (independente do número de patas que tenhamos)...

    Amo viajar nos seus poemas!

    Bjs.

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  2. eheheh... e não, irmã? Feliz demais que tenhas gostado, obrigada, amada, pela leitura e por viajares, por isso ainda continuo a escrever. beijo de amor.

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