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Da fêmea que sou, ah, eu sei...

16 de agosto de 2012

Enrolados


Enrolados


E os negativos se enrolaram
perderam a cor
tantas histórias de vida
perdidas numa gaveta
ficaram lá esquecidas

as fotos dos avós, das tias
o quintal num dia de inverno
o colorido da cerca viva
a roseira, o poço
tudo, tudo só esboço

e os negativos se queimaram
alguns sequer foram velados
permaneceram apenas no plástico
cobertos de químicos e sais de prata
não houve qualquer lembrança
que pudesse ser resgatada

o cachorro hoje velho, a babá idosa
o pé de limeira, galpão de madeira
trilha de pedras, tão cuidada a horta
o cimento que mudou a paisagem
cerâmica cinza cobriu a passagem.


Dhenova

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