Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

12 de agosto de 2012

Despida


Despida

Olho por sobre o muro
cinza esverdeado
sei do perigo imediato
e ainda assim
mantenho a postura
nenhuma fé
ou candura
nenhuma sina
ou rima
tudo tão pobre
podre
amargo e doce

olho a parede envelhecida
sei da transformação
corpo coberto de penas
sinto murcharem as mãos
olho por entre as asas
a sensação de alívio
já não sou fêmea
sou ave
disposta a qualquer
desafio

olho o V que se forma
vejo as garras afiadas
esqueço os pés
pernas e braços
sou livre agora

voo no espaço.

Dhenova
11/12/2010

Um comentário:

  1. Que voo, Poetisa.

    Uma fênix, renascida. Adorei a lida.
    "olho a parede envelhecida
    sei da transformação
    corpo coberto de penas
    sinto murcharem as mãos
    olho por entre as asas
    a sensação de alívio
    já não sou fêmea
    sou ave
    disposta a qualquer
    desafio"

    Versos alados. Belo!!!

    Aproveito para parabenizar o e-book de "!nos Varais.."... Show" Imprimi e li todos, relembrei o nascer pelo tpc e vê-los nas mãos ficou bem iluminado. Parabéns sempre.

    Parabéns pela foto de abertura do blog... Meigo, belo e sexy.... Sempre linda e feliz. Deus cuide de ti.

    Abraço

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