Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

24 de julho de 2012

No picadeiro

 No picadeiro


Era noite de estreia
no circo da vida
embaixo da lona amarela
uma luz nada divina

comer pipoca
era o que fazia
a menina louca
enquanto grunhia

queria algodão rosa
e maçã do amor
era tão gulosa
um verdadeiro terror

amendoim torrado
já tinha comido
jogava cuspe pra o lado
nos pés de um poeta aflito

e no picadeiro redondo
desfilavam dois equilibristas
de repente, ouviu-se um estrondo
a morte em mais uma conquista

e a menina muito calma
lambeu todos os dedos
gritos não lhe alcançaram a alma
já tinha em si todos os medos.


Dhenova

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