Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

3 de junho de 2012

Ainda sinto tanto


Ainda sinto tanto
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senti a navalha fria, corpo riscado, riso sem alegria, céu vermelho e nublado... senti a navalha, na pele agora, à deriva estava o íntimo, fragmentados os espaços, à deriva o barco, ao lado o infinito, céu vermelho e nublado... calafrios e gemidos... senti a navalha quente, arrepio na espinha, íntimo em brasa, desmanchado o anel de platina, arrebatado o corpo... já sem sina...  e, no barco à deriva, senti o cheiro de esgoto, já sem pranto... hoje compreendo nada, e ainda sinto tanto.

Dhenova

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