30 de junho de 2012

Fera e Algoz

Fera e algoz


De repente, tudo ficou negro
algo de atroz partiu-me ao meio
fora de mim, cuspi o anseio
fera de algoz trouxe tanto segredo

de repente, caí no grande buraco
por satisfação cortei-me em pedaços
lá mesmo no fim, pedi um abraço
não, não me fiz de rogado, fui covarde, e só

um alvo tão fácil...

de repente, a noite ficou clara
e meu coração, palco de batalhas
gravou a emoção em couraças
escondeu atrás das cortinas as tralhas

de repente, luzes espalharam-se ao longe
nada de sonho dourado, apenas azul claro
amanhecer sem frescura, novo dia alaranjado
outra postura, sol quadrado, beleza no monte

branco e puro...

de repente, rostos foram redesenhados
imagens se misturaram, ontem e hoje
de repente, fizeram da cabeça o diabo 
e nada pude fazer pra acabar com o jogo

brando e duro...


e um algo tão frágil
ainda assim 
podou-me os medos.


Dhenova

22 de junho de 2012

Cena


Cena

Os quadris mexem-se de um lado pra outro na cadência da música. Performática pose da dama, agora ausente, apenas ela e a lingerie vermelha. A mesma que calada observará a cena do tapete no gran finale... e Joe Cocker continua no seu refrão "Querida, Você pode deixar o seu chapéu, Você pode deixar o seu chapéu”... e a performance continua agora sem o sutiã... ‘você pode deixar o seu chapéu’... seios que brilham no meio da sala sob a lua cheia que invade a janela e ilumina tudo, inclusive auréolas... ‘você pode deixar o seu chapéu’... e a dama continua a dança, quadris pra lá e cá, e a calcinha que vai escorrendo, pingo de sangue no chão... ‘você pode deixar o seu chapéu’... a lua ilumina agora outra lua que requebra lânguida e doce... ‘voce pode...’ e agora é minha vez de entrar em cena.


Dhenova

Primeiro dia de inverno


Primeiro dia de inverno


A ave recolhe as asas
já não há saída coerente
agressivas ardem as brasas
por todos os lados, gente

encolhe-se entre as grades
espera paciente a fogueira
percorre um novo hades
sem querer outra cegueira

terminados os dilemas
voltará a ser cinzas
deixará tolos poemas
serem levados pela brisa

ah, ave 
que um dia
já foi coitada

hoje, não vale nada.


Dhenova
21/6/2012

3 de junho de 2012

Um sei lá sobre as brumas...

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Um sei lá sobre as brumas...

 

Da janela vem um ar morno, brisa sufocante, me pega desnuda, em cima da cama... tão absurda!

 

Uma imagem para esta imagem... hoje ouve a inversão, vieram as letras bem juntinhas antes da cena... sei lá como continuar... mas (J)

Quem sabe uma imagem, sensual mas não vulgar, quase mostrando mas ainda não... gostei

....

Da janela vem um ar morno,

brisa sufocante,

me pega desnuda,

em cima da cama...

tão absurda

Da porta há uma batida

Seca e crua

Tão abissal

Cena tão curta

Sabidas as rotas

Imaginadas, puras

E não sei dizer as horas

Da noite vem a solidão

Um silêncio no quarto

Cedo à pressão

Corpo aos pedaços

Desenho outro traço

Relembro a escolha

O verso sem universo

E aquela bolha quadrada

Desfaz e refaz o caminho

Mas não há giz colorido

Então, é melhor acatar o destino...

 

...

 

Dhenova

Ainda sinto tanto


Ainda sinto tanto
.

senti a navalha fria, corpo riscado, riso sem alegria, céu vermelho e nublado... senti a navalha, na pele agora, à deriva estava o íntimo, fragmentados os espaços, à deriva o barco, ao lado o infinito, céu vermelho e nublado... calafrios e gemidos... senti a navalha quente, arrepio na espinha, íntimo em brasa, desmanchado o anel de platina, arrebatado o corpo... já sem sina...  e, no barco à deriva, senti o cheiro de esgoto, já sem pranto... hoje compreendo nada, e ainda sinto tanto.

Dhenova

Quem me acompanha...

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