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Da fêmea que sou, ah, eu sei...

12 de maio de 2012

Queda

Queda


Atirei-me de uma só vez
assim, sem hesitar
ou contar até três
atirei-me no abismo
de uma só vez

aprumei o corpo, espichado
alcei os braços
à frente, irado
alcei os braços e mergulhei
aprumei o corpo
ah, alcei voo

um baque no escuro
não, não vi mais nada
nem mesmo senti
negro apenas o muro
lá no alto o mundo
um baque no escuro
morri ali imundo

luz mágica me alcançou
no mar bravio do marasmo
cinza chumbo e azul marinho
mesclados ao ambiente sombrio
outra dança, rosa claro
corredor em branco pérola
luz mágica me alcançou
e me lançou ao espaço

alcei voo arriscado em X
coração tão bagunçado
e olhar doido, febril
não sentir era o lema
busquei vingança
resolver meu dilema
fiz último voo, arriscado em X
morri sem pedir socorro
sem atitude, sem bis

Nenhum salto mudo no escuro
nenhum muro negro e imundo
neste impuro universo imenso
azul marinho e cinza chumbo.


Dhenova

4 comentários:

  1. Atirei-me de uma só vez
    assim, sem hesitar
    ou contar até três
    atirei-me no abismo
    de uma só vez

    Demais isso! Adorei! Bjos

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  2. Grata, Martinha, feliz demais aqui que tenhas gostado.

    grande abraço

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  3. Escreves muito bem, poesia de qualidade!

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