Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

17 de maio de 2012

Astronômico

Astronômico

Firmei os pés no chão
depois de tanta lama
esquecidos os dramas
poesia brotou na canção

inventei um inferno paralelo
lambi o asfalto na contramão
cansei de refazer tortos elos
chutei alguns baldes de afeição

quis nota alta, ainda que seca
hoje espero sedenta a melodia
escrita com caneta fina numa estrela

mesmo que a cadência louca
caia mal em muitas bocas
em outras será possível
ouvir todos os ventos

a dissonância virá depois
do intervalo entre afetos
como um cortar de pulsos
para tomar impulso e voar

pois quis nota alta e quero
o tom quase impossível
inexprimível, astronômico

Dhenova & Juleni Andrade

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