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Dos rios que não cruzei... não sei!

17 de maio de 2012

Astronômico

Astronômico

Firmei os pés no chão
depois de tanta lama
esquecidos os dramas
poesia brotou na canção

inventei um inferno paralelo
lambi o asfalto na contramão
cansei de refazer tortos elos
chutei alguns baldes de afeição

quis nota alta, ainda que seca
hoje espero sedenta a melodia
escrita com caneta fina numa estrela

mesmo que a cadência louca
caia mal em muitas bocas
em outras será possível
ouvir todos os ventos

a dissonância virá depois
do intervalo entre afetos
como um cortar de pulsos
para tomar impulso e voar

pois quis nota alta e quero
o tom quase impossível
inexprimível, astronômico

Dhenova & Juleni Andrade

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