17 de maio de 2012

Astronômico

Astronômico

Firmei os pés no chão
depois de tanta lama
esquecidos os dramas
poesia brotou na canção

inventei um inferno paralelo
lambi o asfalto na contramão
cansei de refazer tortos elos
chutei alguns baldes de afeição

quis nota alta, ainda que seca
hoje espero sedenta a melodia
escrita com caneta fina numa estrela

mesmo que a cadência louca
caia mal em muitas bocas
em outras será possível
ouvir todos os ventos

a dissonância virá depois
do intervalo entre afetos
como um cortar de pulsos
para tomar impulso e voar

pois quis nota alta e quero
o tom quase impossível
inexprimível, astronômico

Dhenova & Juleni Andrade

12 de maio de 2012

Queda

Queda


Atirei-me de uma só vez
assim, sem hesitar
ou contar até três
atirei-me no abismo
de uma só vez

aprumei o corpo, espichado
alcei os braços
à frente, irado
alcei os braços e mergulhei
aprumei o corpo
ah, alcei voo

um baque no escuro
não, não vi mais nada
nem mesmo senti
negro apenas o muro
lá no alto o mundo
um baque no escuro
morri ali imundo

luz mágica me alcançou
no mar bravio do marasmo
cinza chumbo e azul marinho
mesclados ao ambiente sombrio
outra dança, rosa claro
corredor em branco pérola
luz mágica me alcançou
e me lançou ao espaço

alcei voo arriscado em X
coração tão bagunçado
e olhar doido, febril
não sentir era o lema
busquei vingança
resolver meu dilema
fiz último voo, arriscado em X
morri sem pedir socorro
sem atitude, sem bis

Nenhum salto mudo no escuro
nenhum muro negro e imundo
neste impuro universo imenso
azul marinho e cinza chumbo.


Dhenova