Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

26 de abril de 2012

Silêncios



Silêncios

silêncio que brota da parede escura
há nos rasgos do cimento o mofo
verde limo do passado que escorre
e mostra os vazios da pintura

silêncio que arde na lareira apagada
preenche as lacunas da alma
faz a nuvem cinzenta imaginada
espalhar o pó pela pequena sala

silêncio que ecoa nas tortas vigas
agora já sem qualquer tormento
carvão marcado pelas cinzas
perdidos os tolos sentimentos

silêncio que espelha na fotografia
momento gravado pra eternidade
sabidas são todas as ilhas
conhecidas de cor as metades.

Dhenova

Azul

Azul

céu azul marinho
espelha meu íntimo
e tímidas estrelas
buscam o caminho

chegam em mar alto
mostram novos horizontes
golfinhos e seus saltos
viagem após os montes

alcançam a aurora
e somem brilhantes
amanhecer não demora
e nada será como antes

Dhenova

22 de abril de 2012

Pedaços de Estrelas

Pedaços de estrelas

Pedaços de estrelas
tirei do meio dos dentes
após morder com força
universo inteiro

pedaços, cacos
ficaram à mesa
todos num prato
como sobremesa

mas eu não comi...

ao contrário
tentei montá-los
juntei tudo
colei com vida
e dois abraços

mas não engoli...

tentei moldá-los
refazer estrelas
não é fácil
quando aos pedaços
soprei poesia
e muitos laços

espalhei harmonia
desenhei espaços.


Dhenova