Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

25 de janeiro de 2012

Quando enxergo

...

Quando enxergo


Ao redor
a mentira me espreita
percebo a distância
sutil problema
cumplicidade desfeita
por que tanta gana
necessidade de ser aceita?

Ao redor
a loucura me engana
esqueci o endereço
doem-me os dramas
cada um com seu preço
não aceito a sanha
mas ainda entendo...
e vejo a trama
sem final...

(entristeço)

trama tão clara
em tantos remendos
pedra bruta quebrada
e, ao redor, me conheço...

vejo tanto

Ao redor
a ira fere, machuca
vejo tanta carência
beirando à leviandade
não quero a premissa
cansei da boa vontade
malícia? não, só verdade.

Ao redor,
as fissuras dos tantos muros
paredes verdes de limo
caíram por terra os puros
e há só o vazio...

Ao redor me curo, quando enxergo luz.


Dhenova

Um comentário:

  1. Compartilho...O sentir, os sentidos. Dórido mas com um desfecho sublime! Lindo, Dhê. Bjs

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