Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

31 de dezembro de 2011

Descalça


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Descalça


Quero passar descalça
a virada de mais um ciclo

unha pintada de preto
reflete boca vermelha
marca a meia lua
o azul na testa...

quero roupa de algodão
e útero na terra
quero utopia, não guerra
e consumação

vou passar a noite descalça
com boca marcada em preto
unha riscada em vermelho
marca da meia lua na testa

quero a boca macia
olhar enviesado, mão grande
quero a poesia
sentida na batida, gigante

unha pintada de vermelho
boca que arde no preto
marcada pelo azul
a meia lua na testa...

vou passar a virada descalça
boca cheia de mel e vontade
fazer a trilha açucarada
encontrar no voo a liberdade

Quero passar descalça
a virada de mais um ciclo.

Dhenova

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