31 de dezembro de 2011

Descalça


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Descalça


Quero passar descalça
a virada de mais um ciclo

unha pintada de preto
reflete boca vermelha
marca a meia lua
o azul na testa...

quero roupa de algodão
e útero na terra
quero utopia, não guerra
e consumação

vou passar a noite descalça
com boca marcada em preto
unha riscada em vermelho
marca da meia lua na testa

quero a boca macia
olhar enviesado, mão grande
quero a poesia
sentida na batida, gigante

unha pintada de vermelho
boca que arde no preto
marcada pelo azul
a meia lua na testa...

vou passar a virada descalça
boca cheia de mel e vontade
fazer a trilha açucarada
encontrar no voo a liberdade

Quero passar descalça
a virada de mais um ciclo.

Dhenova

18 de dezembro de 2011

A Porquinha que vestia pink


A Porquinha que vestia pink


era uma porquinha
ela arrotava e cantava
canções sobre estrelinhas
na beira da estrada

no chiqueiro amarelo
tábuas envernizadas
o quarto singelo
de janelas douradas

a porquinha olhava
à rua e cantava
ela arrotava e cantava
canções sobre fadas
mosqueteiras e espadas

seu irmão, o porquinho
se cuspisse no chão
era repreendido
com um sonoro 'não'

mas eles brincavam
de príncipe e dama
horas a fio encarnavam
personagens na trama
e depois rolavam
com gosto na lama

no fim do dia
a porquinha sorria
boca vermelinha
buscava a cama
ainda vestida de pink.

Dhenova

17 de dezembro de 2011

Homem Fantasia


Homem Fantasia

Enquanto eu fico aqui
dentro de mim
e encouraço o dia
numa folhinha
busco também a imagem
eterna miragem
figura do retrato
justificada em cada ato
mas nada acho...

Lá fora, o vento açoita
e o fardo pouco importa
agruras são manhas
tristeza incomoda
e a outra face é morta
permaneço, então, sentado
pensativo e calado...

Lembro que fui homem de barro
homem de argila
até metal... e fantasia
hoje sou feito de areia
em constante mutação
não quero chegar a concreto
isto não...

Talvez, no fundo, eu seja apenas
só mais um embuste
mais um desses casos
que empobrecem a poesia
só mais um estardalhaço
sem conteúdo ou magia.

Dhenova
27/11/2009


Meu novo blog: http://a-yunes.blogspot.com/

12 de dezembro de 2011

Jogo sem vencedor

Jogo sem vencedor

Não há gritos de vitória
quem perde são inocentes
não há qualquer tipo de glória
quando a guerra é iminente

Não há mais nenhum céu
nem azul, nem ametista
apenas estrelas de papel
conquistando um novo dia

Não, não há ganhadores
quando a luta é por ego
pisoteadas são as flores
massacradas por um cego

Não há qualquer satisfação
em ganhar o jogo, nem alegria
não há também mais ilusão
quando se acaba a poesia.

Dhenova


Meu novo blog:  http://a-yunes.blogspot.com/

Guardassol Colorido



Guardassol Colorido

O calor provoca arrepios, lá fora há um sol que queima sem nenhuma consideração, ele brilha forte, deixando a vida em bolhas e a pele vermelha. Não, não há nenhuma brisa vindo do norte, nenhuma proteção relevante, nem tampouco um guardassol colorido... gosto disso, um guardassol colorido que poderia estar preso por laços de fita, afundado na areia mais branca, mas ele não existe, quase tudo a minha volta é feito de hologramas, aprendi a conviver com isso, e continuo agora mais certa das minhas escolhas, um guardassol colorido preso por laços de fita rosa, ou seriam azuis? Não interessa mais, não há guardassol nem bloqueador, apenas o sol que sem nenhuma consideração invadiu tudo, queimou esperanças, deixou de lado qualquer tipo de mudança, e preferiu continuar cruel e desumano, são coisas do Sol, astro maior, são coisas do Sol, grande mestre da vida, são coisas que acontecem todos dias.

Dhenova