Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

27 de setembro de 2011



Uma volta


Fechei a porta com a chave
dei uma volta
na fechadura
fui até a sala
senti-me meio morta

não pensei em saudade
em sonho ou desejo
ergui-me do leito
de uma vez com vontade

fechei a porta com força
coração bateu apertado
sentido nas vidraças
tum tum tum descompassado

no quarto, desfiz a cama
guardei teu retrato
travesseiro de penas
tudo dentro do peito

levei à rua
joguei na calçada
folhas de caderno
voaram altas

fechei a porta...
coloquei a lua pra fora
fiz escuridão na casa
para esquecer teus olhos
e até agora... nada.

Dhenova

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