Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

26 de setembro de 2011

Só (inspirada em 'Sozinha', de A. do Carvalho)

"E por vezes fumo cigarros quando os suspiros se tornam irremediáveis, quando o pulmão se aperta, a fumaça deixa meu corpo e encontra o vidro da porta, numa explosão se dissipa em formas reconhecíveis somente para mim, nessas horas geralmente há chuva, gotas do outro lado do vidrado que escorrem num rumo definido em direção ao chão..." (Sozinha - A. do Carvalho)

Vagalumes

Geralmente, quando a fumaça do cigarro voa solta pela sacada e encontra o infinito escuro da noite percebo-me só, rodeada do perfume da rosa mais vermelha e há centelhas ao longe, bundinhas verdes que iluminam a grama recém cortada... a fumaça não alcança as bundinhas, é certo, nem tampouco arrefece o perfume... o quadro ainda não me toma inteira, mais uma tragada, mais longe o perfume, mais uma tragada, o cinza mescla-se ao verde e só... não chove, é noite de estrelas pontiagudas, deságua em mim o mesmo pranto de saudade, de uma outra metade que se foi e que não vai voltar, e esta água agita-se, escorre de mim, cobre a sacada, escorre pela viga... e chega à terra... ali infiltra-se e permanece. 

Dhenova

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