27 de setembro de 2011



Uma volta


Fechei a porta com a chave
dei uma volta
na fechadura
fui até a sala
senti-me meio morta

não pensei em saudade
em sonho ou desejo
ergui-me do leito
de uma vez com vontade

fechei a porta com força
coração bateu apertado
sentido nas vidraças
tum tum tum descompassado

no quarto, desfiz a cama
guardei teu retrato
travesseiro de penas
tudo dentro do peito

levei à rua
joguei na calçada
folhas de caderno
voaram altas

fechei a porta...
coloquei a lua pra fora
fiz escuridão na casa
para esquecer teus olhos
e até agora... nada.

Dhenova

Busca do Amor



BUSCA DO AMOR
.
na ponta da copa
sutil esperança
nota mais alta
inventa a dança

na ponta da copa
mensagem banida
respeita e abriga
nova partida

na ponta da copa
o voo do vento
espalha na borda
desenhos do tempo

na ponta da copa
presente dos céus
vai longe a derrota
são tantos anéis

na ponta da copa
a direção certa
semente que brota
de forma sincera

na ponta da copa
pousa o beija-flor
busca na volta
pólen do amor

Dhenova

26 de setembro de 2011

Renascida



Renascida

Quando a lua some por entre nuvens cinzentas
apaga-se o brilho, sorriso morre
quando a lua some peço socorro
eu espero a sorte...

Quando a lua surge por entre as casas
inunda quente a alma, chama acende
dentes brancos desafiam a morte
quando a lua surge imensa
e sorrio descrente...

Quando a lua quase desaparece num fio
olhar fica atento, busca infinita
em cada cratera imaginada a vida
quanda a lua desaparece alada
choro aflita...

e fico calada...

Se a luz da lua de repente apagasse
decerto escrito na mente
estaria o amor gravado em ouro
se a luz da lua apagasse
eu morreria de novo.


Dhenova

Só (inspirada em 'Sozinha', de A. do Carvalho)

"E por vezes fumo cigarros quando os suspiros se tornam irremediáveis, quando o pulmão se aperta, a fumaça deixa meu corpo e encontra o vidro da porta, numa explosão se dissipa em formas reconhecíveis somente para mim, nessas horas geralmente há chuva, gotas do outro lado do vidrado que escorrem num rumo definido em direção ao chão..." (Sozinha - A. do Carvalho)

Vagalumes

Geralmente, quando a fumaça do cigarro voa solta pela sacada e encontra o infinito escuro da noite percebo-me só, rodeada do perfume da rosa mais vermelha e há centelhas ao longe, bundinhas verdes que iluminam a grama recém cortada... a fumaça não alcança as bundinhas, é certo, nem tampouco arrefece o perfume... o quadro ainda não me toma inteira, mais uma tragada, mais longe o perfume, mais uma tragada, o cinza mescla-se ao verde e só... não chove, é noite de estrelas pontiagudas, deságua em mim o mesmo pranto de saudade, de uma outra metade que se foi e que não vai voltar, e esta água agita-se, escorre de mim, cobre a sacada, escorre pela viga... e chega à terra... ali infiltra-se e permanece. 

Dhenova

Quem me acompanha...

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