28 de agosto de 2011

Divagações

... e eu ainda permaneço rio, por incrível que pareça. Algumas tempestades insistem em castigar as margens... e eu ainda permaneço rio... o vento açoita a superfície, ondulo, encrespo, mas a correnteza que me move é suave... e eu ainda permaneço rio... o frio enregela o fundo... e eu ainda permaneço rio... mexe com o lodo... no escuro sombrio há alimento, há vida... e eu ainda permaneço rio... sei das corredeiras mais adiante, sei dos tantos perigos... mas ainda permanecerei rio, como antes.

Dhenova

20 de agosto de 2011

Lua Silente


Lua Silente




No horizonte azulado
vejo a lua crescente
esqueço o diálogo
outra imagem na mente


quase vejo a árvore
despida de amor
e também a mensagem
no papel sem cor


e fecho a cortina
espero a brisa
já não há mais neblina
no ceu de ametista


sei do escuro
lá nas montanhas
de sombras no muro
em emoções tacanhas...


mas sorrio, segura
o nada não me interessa
apenas o tudo é cura
e já não tenho pressa


não me provoca o odio
escuridão ou inveja
apenas mantenho no alto
as mãos quase em prece


e me protege a marca
na testa a lua silente
tranco de vez esta porta
para todo mal, hoje e sempre.


Dhenova