28 de julho de 2011

Voo de Sangue

Voo de sangue

Olho à janela, o negro esconde o muro, sinto o peito aberto, vísceras à mostra, no lugar do coração apenas um buraco. Sei que foi minha a mão que cortou, fez um triângulo, fatiou os pedaços, espalhou ao vento, sangrou veneno... um clichê é o que sinto, isto também sei.
Fico esperando a brisa, paciente, enquanto a cicatriz ainda permanece inconsequente, como o eco das paredes nuas, rachaduras emboloradas, minha cama e a tua... mas ainda há candura e um outro céu, eu sei, e é só no que acredito...
A manhã rompe num rasgo, busco tua mão inconsciente, no teu abraço sinto-me quente, e me aconchego, me acho e te vejo tão frágil, quisera não ser mais um peso, então me afasto...
Volto à janela, é manhã alta, neste instante, uma borboleta amarela faz seu voo, encontra a emoção, leva para longe a dor... que esqueceu de dar adeus, seguiu feliz com seu jeito encantado, ainda olhando pra trás de vez em quando e acenando obscena, deixando o todo de lado.

Dhenova

2 comentários:

  1. O coração tem um poder de renascer que equivale ao das flores... que todos os anos caem no inverno para voltar mais belas na próxima primavera...


    Um grande abraço

    ResponderExcluir
  2. .
    é certo, Michele. Amei a leitura poética. Foi especial.

    Volte sempre, deixe como rastro o perfume da primavera.

    sempre bem vinda.

    ResponderExcluir