Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

26 de março de 2011

Autópsia

Autópsia

Fiz o rasgo enorme
com bisturi
da cabeça ao ventre
e nem senti

Abri mais e mais
expus os ossos
só então vi os sinais
nos órgãos todos

rastro vermelho
sangue escuro
vi no espelho
parco futuro

apenas ele, coração
batia lentamente
ainda cheio de tesão
por aquele amor demente.

Dhênova

2 comentários:

  1. E é assim que se morre de amor e continua-se vivendo!

    Poema cortante e encantador ao mesmo tempo.

    Um abraço

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  2. Agradeço muito a presença, obrigada pelo incentivo.
    Grande abraço.

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