Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

16 de julho de 2010

Enrolado num papiro

Enrolado num papiro

E então tudo aquilo que era falso e breve e intenso e leve foi apagado, riscado, enrolado num papiro.
E então o todo, o martírio, a raiva, a sensação de graça, a paz, a viagem, foi sumindo, e ficou no fim o nada.
E então todo o nada, o lamento, o sofrimento, a paixão, a emoção, foi sendo substituído...
E então tudo o que era nada se transformou em mito, em incertezas, sem beleza e encanto, sem pranto, ou canto.
E então hoje nada existe enquanto tudo persiste em esperar o todo, o começo de outro mundo, outra era, sem o universo torto.

Dhenova

Um comentário:

  1. Bonita, como todas as outras. Poema com sonoridade. Parabéns.

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