Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

29 de julho de 2010

Almas Aladas

Almas Aladas

No manto azul muito escuro
uma estrela está desenhada
nela, escritas em prateado
as palavras 'Almas Aladas'

no veludo macio quase negro
o horizonte vai se formando
um certo tom avermelhado
vai colorindo o manto

de repente vê-se um feixe
de uma luz amarelada
e uma abóboda muito dourada
surge enfim...

Eram noites de veludo carmim.

Dhenova

23 de julho de 2010

Fúria

Fúria

F erina a língua
Ú mida a retina
R egistrada a sina
I mbatível a mão
A bafada pelo não!

Dhenova - maio/2009

20 de julho de 2010

A poesia e o silêncio

Havia um grito abafado
vindo das paredes
que pulsavam em anil
havia um diálogo mudo
perene e profundo
ainda que arredio
havia dor e culpa
e uma ira absurda
nada senil
havia a morte e a vida
vistas num só ângulo
havia o pó e o pânico
e um só cobertor
e havia o pacto eterno
ah, nada singelo...
mas eram só as paredes
daquela casa vazia
sim, havia poesia no silêncio
como sempre haveria.

Dhenova

19 de julho de 2010

ETI AMIGA ILUMINADA















ETI AMIGA ILUMINADA

E is que surge a mulher
T alentosa e caridosa
I luminado ser

A mizade, ela ofertou
M ãe, avó, aceitou
I ncluir no seu regalo
G entilmente delicada
A morosa e apaixonada

I mpossível não amá-la
L evar no peito seu mimo
U ma criatura incrível
M ulher forte e firme
I lumina nossa casa
N esta terna postura
A Família Audiverimus
D eseja para a linda Eti
A mor, Paz, Saúde e Alegria, todo dia.

Dhenova

Esperando o fim

Esperando o fim

Só o tempo será capaz
de apagar o que me vem por dentro
tua imagem colorida e fugaz
alcançou no meu ser o epicentro
revisitou minhas entranhas
deixou-me sem barreiras
numa emoção tamanha
ardida na vida a fogueira
O amor foi meu algoz
despertou desejos ruins
hoje estou mais feroz
e ainda esperando pelo fim.

Dhenova
20/01/2010

16 de julho de 2010

Enrolado num papiro

Enrolado num papiro

E então tudo aquilo que era falso e breve e intenso e leve foi apagado, riscado, enrolado num papiro.
E então o todo, o martírio, a raiva, a sensação de graça, a paz, a viagem, foi sumindo, e ficou no fim o nada.
E então todo o nada, o lamento, o sofrimento, a paixão, a emoção, foi sendo substituído...
E então tudo o que era nada se transformou em mito, em incertezas, sem beleza e encanto, sem pranto, ou canto.
E então hoje nada existe enquanto tudo persiste em esperar o todo, o começo de outro mundo, outra era, sem o universo torto.

Dhenova

12 de julho de 2010

Era uma vez...

Era uma vez
um passarinho
que cantava
cantava para Aurora
nas primeiras horas

Um dia
doce passarinho
perdeu-se da hora
e da bela Aurora
ao sair do ninho
a musa havia ido embora

Neste dia,
o passarinho entristeceu, pobrezinho
não cantou o dia inteiro
nem à noite estrelada
nem ao amanhecer...

infeliz passarinho sem ninho.

Dhenova - maio/2009